Segunda, Outubro 23, 2017

Mundos-Fluzz: um multiverso da interação

Novos paradigmas sobre a rede

O escritor, palestrante e consultor Augusto de Franco, em seu recente artigo “Bem-vindos aos novos mundos-fluzz”, traça uma analogia interessante sobre os fluxos da comunicação em rede e as mudanças que ela proporcionou na forma de comandar, participar, gerir conteúdos e ações, chegando a um multiverso da interação.



Novos paradigmas sobre a rede

O escritor, palestrante e consultor Augusto de Franco, em seu recente artigo “Bem-vindos aos novos mundos-fluzz”, traça uma analogia interessante sobre os fluxos da comunicação em rede e as mudanças que ela proporcionou na forma de comandar, participar, gerir conteúdos e ações, chegando a um multiverso da interação.

O autor nos fala sobre o pó de Flu, citado por J. K. Rowling, na série Harry Potter, o qual é usado por muitos bruxos e bruxas para se transportarem a todos os lugares ligados à rede do Flu. Essa fluência e autonomia da rede nos transportam com facilidade para diversos lugares, como se pudéssemos mesmo estar presente em outros cenários, isso nos transforma um pouco em bruxos. Augusto ressalta que o que flui pelas conexões não é o conteúdo, mas o “modo de interagir”. O pó de Flu agora vem sendo desobstruído a partir do terceiro milênio, pois os novos mundos glocais possuem dispositivos móveis, baterias facilmente recarregáveis, portabilidade, dispositivos que conversam com outros dispositivos, mapas que ensinam os caminhos da planta urbana em um tempo-espaço dos fluxos, coletivos que pretendem difundir o conhecimento, construindo fragmentadamente a partir da colaboração de todos... os novos mundos-fluzz são aqueles em que as buscas não trazem um único resultado, mas sim uma miríade de possibilidades e cada busca tem um resultado diferente, a busca também é interativa. Aqueles que estã vindo logo em seguida, buscando também, encontram o rastro de buscas análogas deixado pelos primeiros navegantes do interworld.

O conhecimento vai ser sendo construído por cada um, que como viajantes, nômades, descobridores, seguem com suas expedições pela web recolhendo arquivos, informações, catalogando dados e montando uma biblioteca particular que atende às suas necessidades. O conteúdo não é mais criado para os outros, mas sim disponibilizado para que possa ser encontrado e utilizado da melhor forma possível e em situações diversas. Tratam-se de pequenas peças que irão compor projetos pessoais de estudo, de trabalho, de criações artísticas e de tantas outras ideias. “Todo buscador é um polinizador”, diz Augusto. Ao mesmo tempo em que o viajante está buscando ele está semeando, participando, contribuindo. Não somos consequência das inovações, a tecnologia se inova quando há disposição social para tal, quando surgem novas necessidades e demandas, quando queremos mais...

Temos como exemplo, as redes sociais. Redes sociais sempre existiram fora da internet, o que vivemos hoje é a transposição das ações sociais para o mundo virtual, tornando nossas relações virtu-reais. O novo cenário da web permite mais coisas, tem suas vantagens e desvantagens assim como qualquer coisa na vida. Otimizar as ferramentas, explorar, adaptar, e entender que elas servirão de maneira peculiar para cada um de nós. Os novos mundos-fluzz são os mundos em que não há padrões para serem seguidos, existem experiências que podem ser acompanhadas, mas não se tratam de dogmas ou receitas. A receita somos nós.

“Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar”. (Antonio Machado)

Cada caminho é uma experiência única, é por si só uma história, um livro, um curso, um treino, uma busca que vai construindo uma biblioteca própria. No buscar, interagimos, encontramos coisas, ensinamos pessoas, nos surpreendemos e acabamos contribuindo. Por isso não há padrões, há inúmeros caminhos na rede.


O autor também nos lembra que assim como ocorre na vida física, acontecem aglomeramentos na rede, os chamados clusters. Pessoas se unem por afinidades, e esse processo ocorre naturalmente. Esses aglomeramentos permitem que uma pessoa possa interagir com alguém diferente, que participa de mais de um cluster. Por exemplo: se uma pessoa "A" fizer parte de um cluster de pessoas que adoram cinema e de outro de pessoas que adoram artesanato, um dos amigos de "A" pode acabar conhecendo alguém do grupo de artesanato, por intermedio dessa amizade em comum. Sempre temos grupos de amigos e familiares bem próximos, que formam os nosso laços fortes, e temos também alguns laços fracos, como pessoas do nosso trabalho, de algum curso, vizinhos etc. Os laços fracos nos permitem interagir com pessoas de outros clusters, nos permite sair da panelinha, de vez em quando e ampliar nossos contatos.


“Até certos eventos planejados autonomamente por pessoas diferentes (que não se conhecem entre si) se aglomeram e isso é revelador de um metabolismo da rede, de uma dinâmica invisível que ocorre no espaço-tempo dos fluxos. Nada a ver com conteúdo. A partir do clustering outros fenômenos surpreendentes ocorrem em uma rede, como o swarming”, diz Augusto.

Swarming, ou herding, shoaling são fenômenos de enxameamento, e assim como ocorrem com os insetos, ocorre com os seres humanos em algumas situações. Sem precisar de um líder, ocorrem enxameamentos, formam-se coletivos em prol de ações em comum, onde evoluem juntos a partir de estímulos que se propagam, como se fosse um vírus.

“Como organizar, pois, ações em um mundo de redes distribuídas? Como se chega a um swarming civil? Em primeiro lugar, renunciando a organizar. Os movimentos surgem por auto-agregação espontânea, de tal forma que planificar o que se vai fazer, quem e quando o fará, não tem nenhum sentido, porque não saberemos o quê, até que o quem tenha atuado” . (David Ugarte)

Outro fenômeno natural que ocorre com os seres humanos é chamado de cloning. Imitação. Imitar também faz parte das interações humanas e animais, compõe parte do processo de aprendizagem, de evolução das espécies e do progresso das sociedades.

O processo de imitação funciona de várias formas, a começar pelo meio em que nascemos, funcionamos conforme as configurações das redes sociais das quais fazemos parte.

“O termo clone deriva da palavra grega klónos, usada para designar "tronco” ou “ramo", referindo-se ao processo pelo qual uma nova planta pode ser criada a partir de um galho. Mas é isso mesmo. A nova planta imita a velha. A vida imita a vida. A convivência imita a convivência. A pessoa imita o social”, nos diz Augusto. Imitar não é algo ruim, pois a cada imitação algo é alterado, inovado, nunca a cópia é perfeita.  

Quem conta um conto sempre aumenta um ponto.


A rede também tem nos permitido diminuir as distâncias, entre nós e o mundo, entre nós e as informações e entre as pessoas. O mundo social tem diminuído diante das nossas telas. Esse fenômeno é chamado de Crunching, onde a interatividade promove a aproximação das coisas. Diante desse mundo tão próximo de nós, em nossas timelines, tudo o que precisamos é construir uma interface para nos conectar. Não é preciso produzir conteúdo, é possível apenas viajar em uma expedição livre. Essa vontade de se comunicar é inata ao ser humano, não é preciso motivas, somos livres assim. O pó de Flu nos permite ir ainda mais longe com mais leveza e flexibilidade.

Não existem mais escolhidos, ou regras, ou um momento certo para iniciar sua viagem. Augusto nos revela que somos todos os escolhidos. As pessoas comuns descobriram que ser comum não as impede de serem criativas, de serem autônomas, de chegarem a qualquer lugar, de produzirem, de compartilharem etc.

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