Segunda, Outubro 23, 2017

Qual a melhor forma de aprender?

Qual é a melhor forma de aprender? Talvez os jovens estejam nos ensinando há algum tempo.
É tão comum ouvir, na contemporaneidade, que a Tecnologia e que a internet são grandes vilões e concorrentes do tempo dedicado, pelos jovens, aos estudos. Mas será mesmo? A psicóloga social Dolores Reig, em seu artigo “¿Y si los jóvenes aprenden mejor que nosotros? Derribando más mitos”, traça uma linha de pensamentos que nos ajudam a entender melhor alguns pontos sobre esse assunto.
Mais do que em qualquer outra época, nos últimos anos têm crescido o diagnóstico “precoce” de crianças e jovens que sofrem com déficit de atenção, desinteresse pela escola, hiperatividade, falta do hábito de leitura etc. Na busca por algo ou alguém que levasse a culpa a internet tem sido vista como a grande vilã da história.
E se na verdade, a Mafalda (personagem do argentino Quino) esteja nos alertando, já há bastante tempo, sobre a inadequação dos modelos pré-existentes de educação? Dolores derruba esse mito quando diz "E se os jovens estiverem, de fato, aprendendo melhor do que nós? E se as coisas como multitarefa, a exposição à diversidade, a mistura de formatos, a aprendizagem em qualquer contexto que permite a aprendizagem móvel estiverem sendo, de acordo com pesquisas recentes, favoráveis à aprendizagem?" (tradução livre).
As crianças e jovens querem mais e sabem que podem mais. Exatamente por isso desafiam o método tradicional de ensino e o rejeitam espontaneamente trocando seu interesse com enorme facilidade por horas de navegação pela Web, ou por jogos de video games, celulares, MP3 iPhones, iPads, gibis, revistas etc.
“Em boa parte, o desprestígio de que goza, hoje, a Escola como instituição, bem como um sentimento geral de decepção experimentados pelos estudantes em relação a seus mestres, explicam-se por um frágil engajamento dos educadores com a verdade”.  (Ame Educando, abril de 1994).
É mais fácil diagnosticar um problema no comportamento das crianças e jovens do que repensar e aprofundar uma pesquisa séria sobre maneiras mais intuitivas de aprendizado. Elas estão apenas agindo de forma sincera e lançando diversos sinais que precisam ser avaliados e compreendidos sem preconceitos e livres do arquétipo de que apenas os adultos têm a ensinar. “Os homens aprendem entre si mediatizados pelo mundo.” recordando Paulo Freire.
Por que o ambiente da rede é tão sedutor?
Uma mesma ferramenta pode ser direcionada para diversas utilidades, uma faca que corta legumes também pode ferir pessoas e a culpa nunca é da faca. A Web não pode ser vista como um fim ou como uma teia malévola. A internet é o meio, a Web é um mundo e as pessoas por trás de cada pequena tela ou janela é que indicam os comandos da navegação.
Árvores, florestas, trilhas, redes...
O educador e escritor brasileiro Rubem Alves, em seu livro “Conversas com quem gosta de ensinar”, cria uma analogia bastante interessante sobre Jequitibás e Eucaliptos. Os Jequitibás são árvores frondosas, de grossos galhos e troncos, chegam a 60 metros de altura e suas circunferências podem ter até 16 m. Demoram em crescer e podem viver mais de três mil anos. Já os Eucaliptos são adaptáveis a diversas condições climáticas, crescem rapidamente e são de grande “importância econômica” não somente no Brasil achat viagra. “Pode ser que educadores sejam confundidos com professores, da mesma forma como se pode dizer: jequitibás e eucaliptos, não é tudo árvore, madeira? [...] Não dá tudo no mesmo. [...] É aquela árvore, diferente de todas, que sentiu coisas que ninguém mais sentiu”. (Ruben Alves) Novamente falamos em intuição.
A figura do professor, hoje, precisa assumir a postura de educador, provocador, orientador e guia. Como um instrutor de mergulho, que já foi mais fundo várias vezes e, portanto, orienta o aprendiz a encontrar soluções frente ao novo. Mas o guia precisa saber o caminho, precisa ter experiência na navegação para que possa indicar os primeiros passos na busca das preciosidades que podem ser encontradas pelo mundo/web. Bibliotecas, dicionários, reportagens, vídeos, documentários, redes sociais, fóruns, videoconferências, animações que podem explicar desde o nosso sistema digestivo até os movimentos interplanetários.
“Vais encontrar o mundo, disse meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” (O Ateneu, de Raul Pompéia)
Se o educador e guia passa a considerar-se participante do mesmo mundo de descobertas em que vivem os alunos, todos podem conviver e desfrutar da troca de experiências. Podem sair da sala física e trabalharem em outros ambientes, lembrando que a casa do aluno é um desses ambientes no qual o estudo deve ser continuado. Por décadas as escolas transmitem as aulas dentro de salas fechadas e vez ou outra promovem passeios a museus, zoológicos, parques etc. E se além desses ambientes, os alunos pudessem participar de fóruns, debates, assistir vídeo-aulas e estudar mais de um assunto relacionado. Dolores complementa dizendo que "O que pode estar acontecendo aqui é que quando o ambiente externo é variado, a informação é enriquecida o que torna mais lento o processo do esquecimento" [...] Assim, há evidências científicas em favor das multitarefas (não simultâneas, como vimos neste outro artigo), como um processo cognitivo apropriado: explorar coisas distintas, porém relacionadas funciona melhor do que uma única coisa em uma única sessão" (tradução livre). Nosso cérebro realiza associações sutis entre os elementos aos quais estamos dispostos, incluindo nossas sensações. O processo de aprendizagem indica, assim, estar intimamente relacionado ao mobile learning¹.
Dolores também não recomenda a memorização de informações, mas sim que o estudo seja desenvolvido aos poucos e frequentemente, sendo distribuído em períodos espaçados. Não se sabe ao certo o porquê, mas parece que nosso cérebro reaprende informações que são retomadas, “recuperadas”.
Depois de tudo o que foi escrito aqui, será que ainda devemos ter medo da tecnologia e da internet?
Para conhecer mais sobre o trabalho de Dolores Reig assista o vídeo: http://deborasebriam.wordpress.com/2011/04/17/aprendizagem-social-e-aberta-na-web/

AVA e-Professor

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