Quinta, Agosto 17, 2017

A sala de aula é o mundo

O pesquisador e professor Carlos Nepomuceno apresenta em seu artigo “O dilema da sala de aula (mais) colaborativa” alguns elementos que caracterizam as transformações de um modelo de aprendizado que se tornou mais dinâmico em que figura um professor que não está mais em um pedestal, que não é mais o dono das verdades, mas que assume uma postura de irmão mais velho, de amigo e orientador.
Carlos acredita que a melhor forma de ensinar em sala de aula é trabalhar em uma roda de conversa, “discutindo hipóteses e não verdades, em torno do tema da aula: É um fluxo de conversa, na qual há um guia que procuro seguir, a partir das minhas hipóteses – e não verdades – destacando os pontos principais desse debate e construindo junto uma teoria sobre o tema. Geralmente, falo em intervalos de 20 minutos e reservo um período para que os alunos discutam as provocações, incentivado TODOS a falarem, mesmo e principalmente os mais tímidos. A avaliação dos alunos é sempre muito positiva, pois eles sentem a presença do professor em sala de aula, a abertura para a conversa e a percepção que estão entrando dentro de um fluxo de debates que eles gostariam de fazer parte, no qual o professor é um participante ativo com um pouco mais de tempo de discussão e com uma metodologia de diálogo, que incentiva a todos a darem sua opinião, apenas isso”.
 
O aprendizado humano passou por determinadas etapas: a transmissão oral do conhecimento, em que tudo era registrado na memória e transmitido por meio de conversas e contação de histórias; a transmissão oral e escrita do conhecimento, por meio de livros e de um ambiente determinado para o estudo; e a transmissão do conhecimento oral, escrito e digital, por meio da rede que pode ser acessada por variados aparelhos digitais.
A escola atual ainda repercute um modelo tradicional onde o professor “reproduz” conhecimento baseado em seus antecedentes, ele apenas retransmite as ideias de outras pessoas e as defende para que os alunos possam absorver sem questionamentos.
 
Atualmente existe uma grande preocupação com a inserção de novas tecnologias no processo educacional, mas o elemento relevante nesse processo de inovação, pelo qual passa a sociedade, é a nova forma de transmissão de conhecimento, a partir de uma dinâmica e colaborativa interação entre professor e aluno.
 
Carlos nos alerta para dois aspectos marcantes do processo tradicional de ensino, um deles era a ilusão de que o conhecimento era mais sólido, pois era a reprodução sacramentada dos livros. O outro aspecto marcante era o distanciamento entre professores e alunos da produção desse conhecimento, o que os impedia de questionar ou contribuir com suas próprias opiniões. E por último, a consequência dessas atitudes foi a falta de dedicação aos problemas, pois não era possível visualizar a relação entre as disciplinas e principalmente entre as experiências de vida das pessoas envolvidas, já que não havia diálogo nem incentivo à criatividade.

“E isso cria um impasse para a sala de aula mais colaborativa, pois os alunos entram nesse mundo mais dinâmico, seus cérebros se acostumam a um mundo de versões que mudam: o celular, os sites, os jogos, menos, porém, o material didático que continua estático. Assim, começam a ter que viver a tortura de viver com um mundo de mudança rápida – e colaborativa – fora da escola e em uma verdade imutável dentro ela”.

Agora professores e alunos podem criar conhecimento, podem pesquisar e propor soluções para os problemas que estudam. Podem realmente trabalhar em equipe, dentro e fora da sala de aula. Integrados ao mundo, assumem suas posições como colaboradores do conhecimento coletivo.
 
O professor Carlos nos lembra de um fator muito importante, que é a nossa percepção antiga de mundo que ainda está enraizada em nós, e a falsa ilusão de que quanto mais nos dedicamos a um assunto, seremos mais conhecedores daquilo e hoje o que precisamos é do compartilhamento, das interações, da aproximação, da construção de um conhecimento mais autônomo e voltado às necessidades pessoais. Um assunto sempre está ligado a outro e para a resolução de um problema é preciso se considerar diversos saberes. Lembrando sempre que o erro faz parte do processo de aprendizagem, e que sempre é possível avaliar perdas e ganhos para que novas ideias possam progredir.
Esse processo de mudança de uma era cognitiva para outra exige projetos educacionais que considerem novas formas de transmissão do conhecimento, aliadas ao uso adequado e equilibrado das tecnologias da informação e comunicação, permitindo aos professores e alunos compartilharem conhecimento, questionamentos e ideias dividindo suas conquistas com o mundo.
 
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AVA e-Professor

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