Segunda, Outubro 23, 2017

O ciberespaço e as mudanças no processo do trabalho e do saber

Sobre o texto A nova relação com o saber, de Pierre Levy

Atualmente o ritmo em que vivemos é veloz, dinâmico e muitas vezes opressivo. As pessoas precisam constantemente renovar seus conhecimentos e seu pacote know-how. O que aprendemos hoje talvez não sirva mais daqui há alguns anos, as tecnologias tornam-se obsoletas rapidamente e novas funções e profissões nascem todos os dias. Trabalhar não significa mais repetir ações e velhos conhecimentos, mas sim aprender sempre, compartilhar e produzir conhecimento.

Sobre o texto A nova relação com o saber, de Pierre Levy

Atualmente o ritmo em que vivemos é veloz, dinâmico e muitas vezes opressivo. As pessoas precisam constantemente renovar seus conhecimentos e seu pacote know-how. O que aprendemos hoje talvez não sirva mais daqui há alguns anos, as tecnologias tornam-se obsoletas rapidamente e novas funções e profissões nascem todos os dias. Trabalhar não significa mais repetir ações e velhos conhecimentos, mas sim aprender sempre, compartilhar e produzir conhecimento.

É assim que o filósofo francês Pierre Levy enxerga as mudanças nas relações com o trabalho e com o saber após o advento do ciberespaço. Esse novo ambiente “suporta tecnologias intelectuais que ampliam, exteriorizam e alteram muitas funções cognitivas humanas: a memória (bancos de dados, hipertextos, fichários digitais [numéricos] de todas as ordens), a imaginação (simulações), a percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), os raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos)”.

Pode-se ter a ilusão de que tudo o que se procura está na web, mas a realidade é que estamos diante de um grande universo de links, de possibilidades e apoiados em motores de busca que ainda estão aprendendo a entender nossas intenções de pesquisa. A todo instante o fluxo cresce, pois a produção autônoma de conhecimento e a inserção de informações são constantes. O autor Roy Ascott, citado por Levy, utiliza uma expressão metafórica brilhante quando compara a situação a um segundo dilúvio, onde tudo está na rede, mas de certa forma está inacessível, pois não existem mapas. Novos pontos nascem a cada segundo.

“O ponto da virada histórica da relação com o saber situa-se provavelmente no fim do século XVIII, naquele momento de frágil equilíbrio em que o mundo antigo brilhava com suas melhores luzes, enquanto as fumaças da revolução industrial começavam a mudar a cor do céu. Quando Diderot e d’Alembert publicavam sua grande Enciclopédia. Até aquele momento, então, um pequeno grupo de homens podia ter a esperança de dominar a totalidade dos saberes (ou ao menos os principais) e propor aos outros o ideal desse domínio. O conhecimento ainda podia ser totalizado, somado. A partir do século XIX, com a ampliação do mundo, com a progressiva descoberta de sua diversidade, com o crescimento cada vez mais rápido dos conhecimentos científicos e técnicos, o projeto de domínio do saber por um indivíduo ou um pequeno grupo tornou-se cada vez mais ilusório. Tornou-se hoje evidente, tangível para todos, que o conhecimento passou definitivamente para o lado do não-totalizável, do indominável. Não podemos senão desistir”.

Diante do dilúvio como estabelecer prioridades? Seria possível fazer como Noé e construir uma arca onde pudéssemos abrigar um pouco de tudo o que fosse importante? Diante de um ambiente não-totalizável e profuso não é mais possível pensar como antes e buscar dar ordem ao caos. Pelo menos, não de forma completa e geral. O que tem acontecido e que parece mais natural é a iniciativa pessoal em que cada indivíduo entenda a sua maneira uma forma de ordem, e ainda sim poderá se construir totalidades parciais, personalizadas.

Veja abaixo o vídeo onde Pierre Levy fala sobre o dilúvio de informações, no programa Roda Viva da TV Cultura:

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Muitas pessoas preocupam-se com o isolamento das pessoas que passam muito tempo navegando pela internet. No entanto, Levy desmistifica esse pensamento ao nos lembrar de que aquele que adora ler não passa horas na frente do papel? Ler no computador ou em um livro não muda o fato de que aquele que está lendo, pesquisando e se comunicando está em contato com um universo de significados que essa pessoa utiliza para construir seu conhecimento pessoal.

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O conhecimento, antes carregado pela memória e transmitido pela oralidade sacramentou-se nos livros e nas bibliotecas. Agora presenciamos a desterritorialização das bibliotecas, o que nos revela talvez um retorno ao processo coletivo de carregar o saber, sem intérpretes, e além de sua memória física o indivíduo poderá contar com o ciberespaço e um coletivo inteligente que mantém, alimenta e distribui o conhecimento mantendo vivo um ciclo.

A partir de todos esses elementos desenvolveram-se novas formas de acesso à informação e uma fluidez na coleta, produção e transmissão de conhecimento. As formas tradicionais de ensinar e aprender estão em conflito diante de novas necessidades.

“O que deve ser aprendido não pode mais ser planejado, nem precisamente definido de maneira antecipada. Os percursos e os perfis de competência são, todos eles, singulares e está cada vez menos possível canalizar-se em programas ou currículos que sejam válidos para todo o mundo. Devemos construir novos modelos do espaço dos conhecimentos”.

Levy já alertava em seu livro “Cibercultura”, a necessidade de uma grande reforma nos sistemas de educação e formação, que pudesse compreender o espírito do aprendizado aberto e a distância (ADD).  O sistema de ensino hoje passa pela mudança entre ser detentor da verdade para tornar-se um guia de percursos individuais que considere o know-how de cada estudante. “O docente vê-se chamado a tornar-se um animador da inteligência coletiva de seus grupos de alunos, em vez de um dispensador direto de conhecimentos”.

Diante do cenário atual que exige constante diversificação, velocidade e personalização dos conteúdos educacionais, sem aumento de custos, os sistemas de aprendizado aberto e a distância estão ganhando cada vez mais espaço. Veja mais sobre isso aqui. A demanda por mais aperfeiçoamento, cursos e vagas em escolas e universidades têm crescido e será impossível formar uma enorme quantidade de professores tão rapidamente. Pierre Levy também nos alerta sobre a questão do custo do ensino, o que dá um cheque mate nas instituições, ou encontram soluções que possam multiplicar o esforço pedagógico dos professores apropriando-se das técnicas audiovisuais, multimídias interativas, bancos de dados, bibliotecas virtuais e digitais, grupos de estudos em redes sociais na web, apropriação de aplicativos gratuitos e TVs educativas.

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