Segunda, Outubro 23, 2017

A contemporaneidade de excedentes informacionais

O Professor da Escola de Ciência da Informação (ECI) da UFMG Renato Rocha Souza, em seu artigo "Quando ignorar é preciso", propõe um quinto pilar às quatro competências educacionais estabelecidas pela UNESCO, e além de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser, precisamos aprender a ignorar.

O Professor da Escola de Ciência da Informação (ECI) da UFMG Renato Rocha Souza, em seu artigo "Quando ignorar é preciso", propõe um quinto pilar às quatro competências educacionais estabelecidas pela UNESCO, e além de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser, precisamos aprender a ignorar.

“Quem lê tanta notícia?”

Caetano Veloso, Alegria, alegria (1968)

 

Where is the life we have lost in living?

Where is the wisdom we have lost in knowledge?

Where is the knowledge we have lost in information?

T. S. Eliot, The rock (1934)

 

Tradução: (Onde está a vida que perdemos vivendo?

Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?

Onde está o conhecimento que perdemos na informação?)

 

Essas frases foram escolhidas pelo autor para exemplificar como nos sentimos diante do imenso volume de informações disponíveis na web e a nossa dificuldade em filtrar e utilizar tudo isso. Com o surgimento da imensa tela em branco da web onde todos podem produzir, criar, armazenar, divulgar e disseminar, fica complicado orientar-se na busca por assuntos determinados. Ao digitarmos uma palavra no Google, temos centenas de páginas como resultado, e todas as sugestões que ele traz não estão em uma ordem estabelecida por critérios iguais aos nossos, mas estão em ordem de mais vistos ou mais clicados, e olhe lá. :)

"As redes e tecnologias digitais propiciaram o que vem sendo chamado de “tempos exponenciais”. Os números que refletem a produção atual de registros de informação são alarmantes. Dados estimados sobre a produção mundial de conteúdo digital apontam para a cifra de 281 bilhões de gigabytes gerados apenas no ano de 2007, ou seja, quase 50 gigabytes para cada ser humano vivo. Isto equivale a mais de cinco milhões de vezes o conteúdo de todos os livros já escritos. Supõe-se que o número total de páginas na web seja próximo a um trilhão. E em 2006 estimava-se que havia cerca de seis milhões de vídeos no site YouTube, com taxa de crescimento de 20% ao mês. Comparados com os cerca de 50 milhões de minutos da vida de uma pessoa longeva, já temos hoje seguramente muito mais conteúdo disponível do que um ser humano poderia assistir, se decidisse dedicar toda a sua vida para tal".

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A nossa capacidade de absorver informações mudou? Talvez ela tenha se esticado um pouco, mas não quer dizer que saibamos lidar com volumes tão grandes, em tão pouco tempo, filtrando somente o que nos interessa e ainda aprofundar o conhecimento como se deve.

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Em contrapartida temos diante de nós inúmeras bibliotecas virtuais, bases de dados, museus que permite acesso virtual, mapas, redes sociais, jornais, sites e blogs com todo o tipo de assuntos, além de vídeos e banco de imagens. Há mais informação e facilidade de acesso, mas isso não garante “o acesso” nem a qualidade do resultado obtido, nem a certeza da credibilidade das fontes consultadas, a não ser que o usuário saiba exatamente onde e o que clicar. Para resolver esse problema existem os “guias”, e quem são eles? Professores e bibliotecários são guias. São eles que criam listas de assuntos, links relacionados, que indicam materiais, livros, filmes, artigos e endereços eletrônicos, são eles que primeira garimpam e depois nos oferecem caminhos possíveis, mesmo que a experiência da navegação e da pesquisa seja individual, sempre é preciso alguma orientação, um norte ao menos para que se possa iniciar a caminhada.

Diante de tantos estímulos, informações e atualizações instantâneas as pessoas começam a sentir que precisam saber tudo, ler tudo e estar atualizado sobre tudo. Mas isso é impossível e é uma doença. Renato nos alerta sobre o estresse que essa pressão tem causado, como por exemplo, a síndrome burnout e alguns casos de depressão, destacando-se em crianças superestimuladas. Estamos mais aptos a lidar com mais estímulos simultâneos, isso é verdade, mas um constante exercício de concentração é necessário para que todo esse volume de informações possa ser útil, possa ser apreendido, mas não todo ele. Ninguém precisa saber tudo. Cada um contribui com uma parte e coletivamente é que se constrói o conhecimento.

Como as pessoas não conseguem dar conta de tudo o que está disponível, elas começam a coletar informações e arquivas para que possam, talvez, lidar com elas quando tiverem mais tempo, como esquilos ou castores que armazenam sementes.

“Dessa forma, mesmo que não se consiga ler, que não haja tempo para assistir, coletam-se e organizam-se meticulosamente documentos, links, vídeos, apresentações, imagens e gravações em áudio, para consumo em um dia que nunca chegará, nos diz Renato.

Os novos educadores do século XXI precisam ensinar como encontrar informações relevantes e como ignorar informações excedentes, otimizando o uso da internet, já que se trata de um meio de comunicação que nos permite abrir uma janela que nos interliga a um mundo de recursos e pessoas. Novas ferramentas demandam experimentações para que se possa descobrir a melhor forma de utilizá-las em situações determinadas.{jcomments on}

AVA e-Professor

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